sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A LIÇÃO DO JARDINEIRO

                      
Um dia, o executivo de uma grande empresa, contratou, pelo telefone, um jardineiro autônomo para fazer a manutenção do seu jardim. Chegando em casa, o executivo viu que estava contratando um garoto de apenas 15 ou 16 anos de idade, contudo, como já estava contratado, ele pediu para que o garoto executasse o serviço.

Quando já havia terminado, o garoto solicitou ao executivo permissão para utilizar o telefone e o executivo não pode deixar de ouvir a conversa toda.
O garoto ligou para uma Senhora e perguntou:
A Senhora está precisando de um jardineiro?
Não, eu já tenho um, foi a resposta.
Mas, além de aparar a grama, frisou o garoto, eu também tiro o lixo.
Nada demais, retrucou a Senhora, do outro lado da linha, o meu jardineiro também faz isso.
O garoto insistiu: Eu limpo e lubrifico todas as ferramentas no final do serviço.
O meu jardineiro também, tornou a falar a Senhora.
Eu faço a programação de atendimento o mais rápido possível.
Bom, o meu jardineiro também me atende prontamente, nunca me deixa esperando, nunca se atrasa.
Numa última tentativa, o menino arriscou: o meu preço é um dos melhores.
Não, disse firme a voz ao telefone, muito obrigado! O preço do meu jardineiro também é muito bom.
Desligando o telefone, o executivo disse ao jardineiro:
Meu rapaz, você perdeu um cliente.
Claro que não, foi a resposta rápida. Eu sou o jardineiro dela. Fiz isto apenas para medir o quanto ela estava satisfeita comigo.
Em se falando do jardim das afeições, quantos de nós teríamos a coragem de fazer a pesquisa deste jardineiro?
E, se fizéssemos, qual seria o resultado? Será que alcançaríamos o grau de satisfação da cliente do garoto? Será que temos, sempre em tempo oportuno e preciso, aparado as arestas dos azedumes dos pequenos mal-entendidos?
Estamos permitindo que se acumule o lixo das mágoas, da indiferença e da mentira nos canteiros onde deveriam se concentrar as flores da afeição mais pura e sincera? Temos lubrificado, diariamente, as ferramentas da gentileza, da simpatia, do respeito entre os nossos amores e amigos, atendendo as suas necessidades e carências, com presteza? E, por fim, qual tem sido o nosso preço? Estamos nos utilizando de chantagens emocionais ou como o jardineiro sábio, cuidamos das mudinhas das afeições com carinho e as deixamos florescer, sem sufocá-las?

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