sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Como a inveja "matou" a alma de Caim



Ele sabe que sofrerá para sempre as consequências de seu ato. E você, pensa antes de tomar qualquer atitude?
O rapaz se joga mata adentro buscando fugir de seu passado. Em suas mãos, o sangue ainda escorre. Ele tenta limpar, esfrega em folhas de árvores, em águas de rios, em terras do chão. Nada funciona. Como se assombrado, ele vê o sangue subindo das mãos e se multiplicando pelo corpo, invadindo cada centímetro dos braços, do tronco, do coração, da alma. Talvez sejam seus olhos que ficaram vermelhos pelo arrependimento, talvez seja sua mente que se perdeu em um labirinto de inveja e vingança. Ele não sabe.

Buscando se perder entre as gigantescas árvores que inibem o sol, ele aperta o passo. Está encarcerado. Ao redor, as lembranças crescem abraçadas aos galhos e aos troncos, até sufocarem o rapaz. Nenhum animal está por perto.
“Caim!”

Ele ouve o trovão. Sua espinha gela, seus pelos se arrepiam, mas tenta enganar sua mente. Começa a correr.

“Caim!”

Arranha-se nos espinhos de arbustos que cada vez mais tentam impedir sua passagem.

“Eu perdi minha vida! Eu perdi minha vida!”, sentencia antes mesmo do julgamento.

“Caim!”

A voz é estrondosa, cada vez mais alta e agora a mata faz corpo a ela, fechando todos os caminhos. Deixa-se cair ao solo, sabendo que sofrerá as consequências.

“Onde está Abel, teu irmão?”

O desespero passa a percorrer suas veias. Com dificuldade, expulsa as palavras trêmulas de sua boca falsa:

“Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?”

As flores que lhe reprovam com o olhar acusam: “Não, não é tutor. Mas quis ser dono de sua vida ao matar o menino.”

Evita olhar para elas, mira o chão.

“Fraco! Deixou que o ciúme e a inveja lhe corrompessem a alma. Agora chora a alma de Abel como chorarão seus pais.”

Tenta esconder o rosto nas mãos, mas o vermelho sangue o assusta. Fecha os olhos e vê o corpo de seu irmão. Abre-os e vê o corpo de seu irmão. Por todos os lados. Corpos, sangue, acusação. E a voz de trovão que volta a preencher o ar:

“Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a Mim. És agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão. Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força; serás fugitivo e errante pela terra.”

O peso das palavras lhe quebra os ombros. Caído, chora:

“É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo. Eis que hoje me lanças da face da terra, e da Tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará.”

De nada vale fugir e tentar não sentir nada. Chegou o dia em que Caim tentou ter mais do que possuía e vendeu fácil sua alma, que antes não tinha preço.

“Qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes”, diz o Senhor. E o marca para escondê-lo da morte.

Depois que o Senhor se vai, o homem chora até secar suas lágrimas. E então se levanta e vai para longe dali, sabendo que nada mais o poderia ferir tanto.

Nesse dia, Caim se acostuma com o caminho errado que escolheu e entende que para sempre viverá o mesmo dia.

Para refletir
Você tem pensado nas consequências dos seus atos antes de tomar qualquer atitude?
 Gênesis 4:8-16

Fonte: arca universal

Nenhum comentário:

Postar um comentário