sábado, 3 de maio de 2014

E quando mentir vira hábito?

                  http://www.universal.org/uploads/2014/04/23/mentira.690x460.jpg

Descubra se a mentirinha do dia a dia pode lhe prejudicar

“Seu corte de cabelo ficou lindo!”, “como você emagreceu”, “só mais cinco minutinhos e eu já estou chegando”, “eu só tenho olhos para você”. Se você já disse alguma dessas frases mesmo quando elas não condiziam exatamente com a realidade, então você já mentiu. Contudo, será que isso o torna uma pessoa mentirosa? Um hábito feio, que ninguém quer para si, é, na realidade, a estratégia mais antiga para viver harmoniosamente em sociedade. No entanto, isso não quer dizer que seja permitido sair escondendo a verdade e mascarando a realidade. Mentir é errado, independentemente do peso da mentira.

E, por falar em mascarar a realidade, a internet é um campo fértil para isso. Fingir ser o que não é ou se esconder atrás de identidades irreais é muito comum no mundo virtual e tal comportamento vem irritando muita gente. De acordo com uma pesquisa realizada em março deste ano pelo portal ParPerfeito, especializado em unir casais, uma das mentiras que os homens mais odeiam é justamente a que eles mais contam: 75% dizem que não estão comprometidos quando na verdade estão.

Omitir o status do relacionamento em redes sociais não é exatamente mentir, é omitir. No entanto, essa atitude pode ferir corações de verdade e até provocar reações extremas, como a do inglês Brian Lewis, na época com 31 anos, que assassinou sua esposa e mãe de seus quatro filhos, Hayley Jones, de apenas 26 anos, por, supostamente, ela ter trocado o status de “casada” para o de “solteira” no Facebook. Segundo o marido, a esposa passava muito tempo conectada e mantinha segredos sobre o que fazia na internet. A gota d´água para ele foi quando ela se declarou solteira na rede social.

No caso do casal britânico, uma mentirinha acabou levando a um desfecho dramático. Porém, na visão do psicólogo Alexandre Rivero, de São Paulo, a mentira pode prejudicar e muito a pessoa que costuma contá-la. “Ela distorce a realidade e estabelece um desvio de conduta. Existem pessoas que acabam pautando suas vidas na estratégia da mentira, se tornando compulsivas”, alerta o especialista, destacando que quem mente cria o descrédito em quem a cerca, produzindo perda de relacionamentos, divisão familiar e até comprometendo a vida profissional.

O pior é quando ela deixa de ser hábito e vira doença, o que, de acordo com o psicólogo, tem até nome: mitomania. “A pessoa passa a mentir para obter benefícios e atingir seus objetivo e, mesmo sendo observada na mentira, continua mentindo acreditando que o erro foi na ‘mentira específica’ e que na próxima se sairá bem”, esclarece Rivero. No estágio mais avançado, a pessoa começa a confundir suas próprias mentiras com a realidade. “Neste caso, o ato de mentir não visa prejudicar ninguém nem mesmo ocorre para obter benefícios, é apenas uma maneira da pessoa se sentir aceita e valorizada pelos outros”, explica.

Não existe mentira pior ou melhor. Mas existe uma severamente grave, cometida por muitos e cada vez mais comum: mentir para si mesmo. Viver fora da realidade é extremamente prejudicial, porque impede quem faz isso de construir uma vida palpável. Dessa forma, a pessoa passa a viver de aparência, ostentando o que não tem para mostrar ser o que não é. Ser autêntico pode estar fora de moda, mas ainda é o melhor caminho para ser feliz. Pode até ser que os outros não percebam quando você não está sendo honesto, mas sua consciência sempre saberá e mantê-la limpa não tem preço.

O psicólogo Alexandre Rivero orienta que, caso a pessoa desconfie que sofre de mitomania ou se conhece alguém com a doença, é preciso procurar ajuda. “Tornar-se autoconsciente e perceber o resultado das mentiras em sua vida é um começo. A família também exerce um papel fundamental para ajudar a pessoa que sofre com esse mal. Ela deve perder as regalias que consegue por meio das mentiras para começar a sofrer as consequências de suas ações”, aconselha.

Parar de mentir é como se livrar de qualquer hábito ruim. É preciso força de vontade, saber se controlar e pensar antes de falar. Antes mesmo de prejudicar a si mesmo, contar inverdades pode ser prejudicial para quem está ao seu redor. Além de perder a credibilidade com os que estão à sua volta, você sempre deve ter em mente que pode acabar magoando pessoas que ama, mesmo quando sua intenção é protegê-las.
Fonte: universal.org

Nenhum comentário:

Postar um comentário